Nos últimos anos, o Intuitive Eating ganhou força como resposta à cultura das dietas restritivas. Ele propõe algo simples na teoria, mas complexo na prática: reaprender a escutar os sinais do corpo, sem culpa, sem regras rígidas e sem punições.
A proposta central é abandonar a mentalidade de dieta e reconstruir a relação com a comida. Isso inclui:
reconhecer fome e saciedade;
diferenciar fome física de emocional;
respeitar preferências alimentares;
entender que saúde não se resume ao peso corporal.
Para muitas pessoas, esse modelo traz alívio emocional, redução da culpa e melhora da autoestima.
No entanto, ouvir o corpo não significa ignorar o contexto clínico. Pessoas com resistência à insulina, dislipidemias, síndrome dos ovários policísticos, doenças inflamatórias ou intestinais, por exemplo, precisam de ajustes estratégicos que vão além da percepção subjetiva.
Nesses casos, o comer intuitivo pode e deve ser adaptado, não descartado.
Outro ponto importante: quem passou anos fazendo dietas restritivas pode ter os sinais de fome e saciedade completamente desregulados. Isso não é falha pessoal, é consequência fisiológica e comportamental.
Aprender a ouvir o corpo é um processo gradual, que exige orientação, paciência e acolhimento.
Comer intuitivamente não é “liberar tudo” nem abandonar o cuidado com a saúde. É construir autonomia alimentar com consciência e suporte profissional.
Um acompanhamento médico ajuda a equilibrar ciência, escuta do corpo e objetivos de saúde reais, sem extremismos.
Dra Tinai Carlstron
Nutrologia em São Paulo
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